sábado, 12 de setembro de 2009

O assassinato de Raul Seixas


Nunca tinha parado pra pensar como seria o fim de um imortal. Até descobrir a verdadeira história de um rei.
Aclamado por todos, um difusor de idéias que, as vezes, eram liberais demais. O pai do rock brasileiro, um filósofo e músico excepcional, um aparente "profeta", pois sua palavras ultrapassaram gerações.
Seu nome: Raul dos Santos Seixas, Raul Seixas, Raulzito, o Maluco Beleza.
Desde os anos setenta, é visto por muitos como um líder, um herói, um Deus.
Mas, tragicamente, sua história chegara ao fim.
Quem mataria um Deus?
Aí está uma questão que não faz muito sentido. Então perguntaremos: O que mata um Deus? E então veremos que o único modo de tal coisa acontecer é vindo de dentro.
Nosso amigo, líder de legiões, era alcoolátra, e morreu por sua fraqueza.
Liberal extremista, lançou um grande sucesso, a "Sociedade Alternativa", que o próprio nome já diz seu propósito.
Em épocas ditatoriais, a censura o fez alterar várias de suas músicas, mais isso não o fez parar.
"Então, em vinte e um de agosto de mil novecentos e oitenta e nove, morreu em sua casa, vítima de uma parada cardíaca, agravada pelo seu alcoolismo; e por ser diabético, e não ter tomado insulina na noite anterior, teve uma pancreatite aguda fulminante (fonte: Wikipedia)."
Raul nos ensinou muito, com toda sua filosofia e as vezes, até sartírica, vista do mundo e da vida. Ele mesmo dizia que sua dialética era o "Raulseixismo".
Este ano completam vinte anos da sua morte, e por aí vimos várias homenagens a ele. E que aqui deixo a minha, terminando esse singelo artigo, com uma das músicasque fizeram maior sucesso na sua carreira, e na minha humilde opinião é uma das melhores: Ouro de tolo

Ouro de tolo
Raul Seixas

Eu devia estar contente
Porque eu tenho um emprego
Sou um dito cidadão respeitável
E ganho quatro mil cruzeiros
Por mês...

Eu devia agradecer ao Senhor
Por ter tido sucesso
Na vida como artista
Eu devia estar feliz
Porque consegui comprar
Um Corcel 73...

Eu devia estar alegre
E satisfeito
Por morar em Ipanema
Depois de ter passado
Fome por dois anos
Aqui na Cidade Maravilhosa...

Ah!
Eu devia estar sorrindo
E orgulhoso
Por ter finalmente vencido na vida
Mas eu acho isso uma grande piada
E um tanto quanto perigosa...

Eu devia estar contente
Por ter conseguido
Tudo o que eu quis
Mas confesso abestalhado
Que eu estou decepcionado...

Porque foi tão fácil conseguir
E agora eu me pergunto "e daí?"
Eu tenho uma porção
De coisas grandes prá conquistar
E eu não posso ficar aí parado...

Eu devia estar feliz pelo Senhor
Ter me concedido o domingo
Prá ir com a família
No Jardim Zoológico
Dar pipoca aos macacos...

Ah!
Mas que sujeito chato sou eu
Que não acha nada engraçado
Macaco, praia, carro
Jornal, tobogã
Eu acho tudo isso um saco...

É você olhar no espelho
Se sentir
Um grandessíssimo idiota
Saber que é humano
Ridículo, limitado
Que só usa dez por cento
De sua cabeça animal...

E você ainda acredita
Que é um doutor
Padre ou policial
Que está contribuindo
Com sua parte
Para o nosso belo
Quadro social...

Eu que não me sento
No trono de um apartamento
Com a boca escancarada
Cheia de dentes
Esperando a morte chegar...

Porque longe das cercas
Embandeiradas
Que separam quintais
No cume calmo
Do meu olho que vê
Assenta a sombra sonora
De um disco voador...

Ah!
Eu que não me sento
No trono de um apartamento
Com a boca escancarada
Cheia de dentes
Esperando a morte chegar...

Porque longe das cercas
Embandeiradas
Que separam quintais
No cume calmo
Do meu olho que vê
Assenta a sombra sonora
De um disco voador...

2 comentários:

Suélen disse...

Guii muito foda Raul eh meo mestre parabens pelo blog velho tu tem talendo mesmo e faz o que eu ti falei registra suas coisa ^^Bj

Priscila disse...

Então né Gui, nem precisa falar... o blog está muitoo legal, bem interessante mesmoo!!! continue assim viu! :)
Congratulations ;DD